Depois de “colherada” no post do Devil sobre as fotos gravuras (FG), prometi que faria um tutorial sobre o método de utilizo.
Por isso aqui vai…
Gostaria previamente de fazer dois alertas.
O primeiro vai para o método em si, todos os passos que vou descrever a seguir, resultam de pesquisa feita em algumas revistas mas principalmente pesquisa feita na net.
Podem verificar em alguns passos, partes de métodos conhecidos e noutros passos, partes adaptadas por mim.
O segundo alerta vai para a segurança quando se faz as FG. Esta é muito importante, grande parte dos produtos utilizados são perigos, por isso será sempre indispensável e da vossa responsabilidade o uso de material protector. ( Eu sei pareço a mãezinha…
Para melhor explicar o método vou dividi-lo em várias partes, ajuda a compreender melhor como tudo funciona.
Parte I - O Artwork.
Material necessário:
- Programa de desenho (eu utilizo o QCAD – Fácil de utilizar e barato) http://www.ribbonsoft.com/pt-br/" onclick="window.open(this.href);return false;
- Impressora jacto de tinta ou laser
- Folhas de acetato – para impressora a jacto de tinta ou laser.
a)Elaboração do artwork.
Para o método que utilizo, baseado no “Photo- resistent” (“PR”) da Micro-Mark, http://www.micromark.com/" onclick="window.open(this.href);return false;, o art-work não segue o padrão normal dos métodos que utilizam por exemplo, o verniz fotossensível Positiv20 ou as películas que se utilizam para a elaborar de circuitos impressos.
Para este método o artwork deve ser desenhado com os seguintes pressupostos:
- As áreas a serem exposta ao ácido, áreas de queremos que “desapareçam” durante o banho de acido (etching) devem estar a preto na nossa impressão.
- As áreas que não vão ser expostas ou que não vão desaparecer durante o banho de acido (etching) devem estar a transparente na impressão.
Ver foto abaixo.
Para o sucesso da FG é muito importante ter em atenção várias regras.
- O tamanho da FG não deve ser muito inferior a 1mm, muitas “fontes” dizem que pode ser no mínimo 2x a espessura da “chapa”, eu nunca tive bons resultados.
Esta espessura já é valida para os casos onde seja necessário fazer ranhuras ou dobras.
- As ligações entre a pcs em si e a moldura devem ser objecto de análise, isto é, não devem ser nem muito grossas nem muito finas e devem ainda estar situadas de forma a que depois de cortadas não venham alterar a forma final da pcs. Sempre que possível evitar colocar as ligações em zonas curvas, coloca-las de preferência em zona rectas ou esquinas.
- Para uma FG com duas faces deve-se preparar dois artworks (copiar/colar) e colocar “miras” em ambos, vão ser muito importantes numa fase posterior.
- Se a FG tiver ranhuras que façam desenhos ou dobras devem ter-se atenção ao artwork, uma deve conter o desenho pretendido a outra não, assim a chata só vai estar exposta ao ácido numa das faces dando origem aos desenhos.
- O Artwork não deve ter meio tons, só preto e branco (transparente).
b)Impressão
A impressão pode ser feita em dois tipos de folhas, folha de acetato para impressora de jacto de tinta ou folha de acetato para impressora a laser. O impressão a laser é melhor que a jacto de tinta, a impressão é mais opaca o que melhora os resultados da exposição do “PR”.
c)Sandwish
Depois de impressos os artworks devem ser cortados á mesma medida, sobrepostos, exactamente no mesmo local e colados nas duas extremidades superiores (ver foto), de forma a mais tarde podermos fazer um sandwish com “chapa”.
Aqui as miras colocadas são de grande utilidade para acertar os dois artworks.
Parte II
Preparação de “Chapa” para o banho de ácido – Etching.
Material necessário:
- Chapa de latão de 0.3mm (espessura mais comum que utilizo) do tamanho do artwork.
- Película fotossensível da Micro-Mark – Photo Resistant “PR”.
- Plastificador/Laminador – tipo plastificador de cartões (como podem ver na foto o meu foi é muito grande, foi comprado no Lidl por um bom preço, aprox. 20.00euros, mas não é necessário um laminador tão grande).
- Folhas de papel normal.
- Dois vidros pequenos.
- Molas metalicas
a) Nesta fase de preparação da “chapa” para o banho de acido, o primeiro passo é lavar a “chapa”. A lavagem é muito importante para que o “PR” cole na perfeição á chapa. Há várias formas de lhe retirar a gordura ou outros tipos de sujidade, eu utilizo uma lixa fina molhada em detergente, depois de bem lixada e a bilhar basta passar por água. Há quem mergulhe a “chapa” numa solução muito fraca do ácido, mas para este “PR” não é necessário.
Atenção á forma como secam a “chapa” não colocar os dedos na superfície limpa, nem deixar pêlos, cabelos ou outro tipo de sujidade, esta sujidade vai ficar por debaixo do “PR” e pode destruir a “FG” durante a corrosão.
NOTA IMPORTANTE: O PRÓXIMO PASSO DE SER FEITO COM O MINIMO DE LUZ POSSIVEL, ASSIM EVITAMOS ALTERAR O “PR” – É FOTOSENSIVEL.
b) O próximo passo é colocar a película de “PR” na “chapa”. Devemos cortar dois pedaços de “PR” ligeiramente maiores que nossa “chapa”, o “PR” vem protegido em ambas as faces por um plástico muito fino que é necessário retirar.
ATENÇÃO: Nos pedaços de “PR” que temos, retirar o plástico só de uma das faces - ver fotos
As instruções da Micro-Mark dizem que antes de colocar o “PR” na “chapa” esta deve ser molhada, dizem que facilita a colocação/ajuste da “PR” á “chapa”.
Eu não faço isso – vou explicar mais tarde porquê. Simplesmente “colo” a face do “PR” sem plástico na “chapa”
Para colar a “PR” utilizo a mesma técnica que se utiliza para colar autocolantes sem deixar bolhas, pressionando de uma extremidade para a outra.
Depois de repetida esta operação nas duas faces da “chapa”, esta está pronta para a laminação.
c) Laminar a “chapa” é o passo seguinte.
Com o “PR” colado nas duas faces da “chapa” e com o laminador já ligado (o meu demora aprox.3/4 min. a dar o OK), coloca-se a “chapa” dentro de uma folha de papel dobrada.
Iniciar a laminação da “chapa”. O que é que vai acontecer? O Laminador vai aquecer a chapa e o “PR”, selando/colando ainda mais o “PR” á “chapa”.
Agora explico porque não molho a chapa quando estou a colar a “PR” na “chapa”, por mais cuidado que se tenha acaba sempre por ficar água entre os dois, com o calor do laminador a água vai “ferver” e criar bolhas que vão destruir a eficácia da colagem feita pelo laminador. Acreditem, fala a voz da experiência…
ANTENÇÃO: AINDA NÃO PODEM ACENDER A LUZ…
d) Agora vamos “expor” a “chapa” laminada e o artwork á luz.
Vamos fazer DUAS sandwish de “chapa” laminada. A primeira deve ser feita com o artwork que preparamos anteriormente, colocamos a “chapa” entre as duas folhas de artwork de forma a que o desenho fique dentro da “chapa”. A segunda é para assegurar uma exposição correcta, coloca-se a primeira sandwish entre dois vidros e fecha-se com duas molhas de pressão – Ver foto.
d) Este é o passo mais simples.
Basta pegar na “dupla sandwish” e coloca-la debaixo de uma lâmpada fluorescente ou ao sol, este “PR” não necessita lâmpada UV. O tempo de exposição vais depender da fonte de luz utilizada, a lâmpada demora mais tempo, dá para controlar melhor a exposição, o sol é mais rápido mas não se controlo tão bem a exposição.
De qualquer forma o “PR” dá essa informação, com o tempo de exposição a aumentar este passa de azul claro para azul-escuro, o azul-escuro é bom sinal, podemos parar a exposição.
Podemos finalmente retirar a segunda película protectora de plástico.
e) Agora que as partes expostas á luz já reagiram, vamos livrar-nos do resto. O resto são as partes de ficaram debaixo do artwork e não foram expostas.
Vamos preparar uma solução de Água e Soda Caustica. As regras dizem que a solução deve ser feita com 1 litro de água + 7grs de Soda Caustica. Pessoalmente não faço uma solução tão forte, faço 1 litro de água + 3grs de Soda Caustica. Porquê???
Esta solução é mais fraca, dá hipóteses de controlar melhor a dissolução das partes não expostas.
Com a solução mais forte, corremos o risco de fica sem as partes não expostas e expostas. Se isso acontecer… “Bad news”…
A acção é fácil, mergulhamos a “chapa” na solução e com um pincel suave vamos passando na “chapa”, dos dois lados claro!
A “chapa” está pronta quando tivemos partes a azul-escuro e partes em que a “chapa” está á vista (são estas que vão estar em contacto com o acido e desaparecer).
Para parar a dissolução basta colocar a “chapa” debaixo de água.
JÁ PODEM ACENDER A LUZ…
Parte III
Banho de ácido – Etching.
Material necessário:
- Percloreto de ferro liquido
- Tanque de corrosão – “ Made by myself”:
- Molas plásticas.
- Soda caustica
a) A solução.
A solução que utilizo é composta por 50% água (200ml) + 50% percoloreto de ferro liquido.(200ml), isto faz uma solução mais fraca, leva mais tempo a corroer a ”chapa” mas também e mais meiga …evita deformações, “over etching”, etc.
Antes do banho de ácido devemos aquecer em banho-maria a solução, não necessita nem deve ser directamente no fogão, segurança…quando á solução atingiu uma temperatura aceitável, 20/25º coloco-a no tanque onde já tenho o “aquecedor dos peixinhos” ligado.
O aquecimento da solução é muito importante, acelera a corrosão e permite melhor detalhe nas gravações, …acreditem.
Vamos espera que a temperatura suba… para os 32/34º, o meu “aquecedor” não dá para mais.... Ligamos a bomba de ar …e “chapa” no ácido.
O tempo que a “chapa” vai levar a ficar pronta vai sempre depender das condições em que a corrosão está a ser feita, com ou sem tanque, com ou sem aquecimento, com uma solução mais forte ou mais fraca, etc.
Por isso, é importante controla a evolução da corrosão, devemos verificar a “chapa” de 5 em 5 minutos, mais perto do final apertar o controlo para evitar “over etching”.
A corrosão pode ser parada a qualquer altura basta mergulhar a “chapa” em água.
b) Limpeza final.
A “chapa” está pronta, já lhe podemos chamar grelha de foto-gravados. Agora queremos retirar da grelha o “PR” que nos ajudou a proteger a “chapa” durante a corrosão.
Fácil. Vamos á nossa solução de Água + Soda Caustica e acrescentamos mais Soda Caustica, em menos de 1 minuto a “PR” vai literalmente descolar da “chapa”.
Et Voilá…
Já temos foto gravuras ou “PE” “made at home”.
Eu sei… o Tutorial é logo e alguns já devem ter desistido a meio, ou então pensaram que se ler o tutorial demorou tanto tempo, fazer as “FG” devem ser ainda pior.
Nada disso, com o conhecimento e com a prática, fazer “FG” vai ser um prazer… e uma obsessão.
O defeito é meu, com este blá blá todo tentei evitar erros que se fazem quando se parte para estas aventuras completamente ás escuras…
Já sabem, dúvidas, questão, informações e afins…. É só perguntar.
Um abraço.
Pedro Gomes
